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O Paradigma Realista













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O Paradigma Realista
















A mais antiga e mais influente das concepções sobre os fenômenos internacionais é o realismo político. Apesar de sua origem remontar à Grécia Antiga, foi durante o período de formação dos Estados Nacionais europeus, através de Maquiavel e Hobbes, que ele veio a desenvolver-se em seus moldes.
O Príncipe, de Maquiavel, foi tido como uma espécie de manual para os que desejavam governar naquela época. A máxima de que os fins justificam os meios pode ser encontrada como substrato de vários episódios das relações internacionais.
Outro pensador de grande influência foi Thomas Hobbes, com sua obra Leviatã. Nesta, ele preocupou-se em explicar o funcionamento do sistema político.
O homem é lobo para outro homem. Esta frase resume o pensamento de Hobbes sobre as relações sociais. Muitos realistas se apoiaram em seu pensamento para sustentar suas idéias.
A Paz de Vestfália é tida pelos historiadores como o ponto de partida das relações internacionais modernas segundo as pautas do pensamento político.
O realismo político irá apresentar-se com sua roupagem internacional como reação ao período idealista das relações internacionais.
Nos idos da década de 20 o mundo vivia um período rico em avanços tecnológicos e sociais. Esse período ficou conhecido como idealista porque albergou o surgimento de uma série de iniciativas inspiradas em princípios éticos e morais. Foi durante esse período que nasceram as primeiras cátedras de relações internacionais, em universidades britânicas.
Edward Carr realizou um notável estudo sobre a época idealista que vigorou após a Primeira Guerra Mundial. Seus estudos confirmaram-se pelas dificuldades que foram comprometendo a paz mundial, tal como a não adesão dos EUA à Liga das Nações. O início da Segunda Guerra marcou o fim do período idealista. A obra de Carr The Twenty Years Crisis fincou as bases para interpretações realistas das relações internacionais contemporâneas.
O realismo caracteriza-se pelo ser, ao contrário do idealismo, que insere-se no mundo do dever ser. Os realistas caracterizam-se pela visão fidedigna da realidade, daí porque possuem uma visão pessimista e pragmática.
Após a Segunda Guerra Mundial, o realismo era o único paradigma restante. Foi então, em 1948, que Hans Morgenthau publicou seu livro Politic among nations. The struggle of power and peace., que se tornou uma espécie de bíblia para os acadêmicos e até mesmo governantes.
Foi na Alemanha da república de Weimar que Morgenthau encontrou a principal fonte de sua tese: a importância do poder nas relações internacionais.
Morgenthau consolidou nos EUA a teoria do realismo político, cujo perfil ficou estabelecido pelos Seis princípios do realismo político, descritos a seguir:
- 1° princípio: a política, tal como a sociedade em geral, é governada por leis objetivas, inerentes ao ser humano, comparáveis às que regem a conduta dos animais e que se refletiriam na conduta dos Estados;
- 2° princípio: todo e qualquer interesse dos atores internacionais deveria ser traduzido em sua pretensão de alcançar mais poder para si mesmo;
- 3° princípio: países ideologicamente distintos estariam regidos pelo mesmo interesse em obter ou manter seu poder sobre os demais;
- 4° princípio: não há regras morais universais aplicáveis a todas as situações;
- 5° princípio: os atores internacionais não podem ser submetidos a qualquer tipo de sistema normativo, ou seja, o sistema internacional é absolutamente anárquico;
- 6° princípio: separação entre política interna e política externa do Estado. Dentro do estado Þ regido por leis; fora do Estado Þ império dos mais fortes.

O realismo tinha o mérito de explicar as aspirações hegemônicas, além de justificar as inúmeras ações imperialistas empreendidas pela superpotência ocidental.
Apesar de os EUA tenham favorecido e alimentado a produção intelectual dos representantes do realismo, um autor francês, Raymond Aron, também construiu um conjunto importante de obras realistas, das quais se destaca Paix et guerre entre les nations, de 1962. Ele influenciou muito as correntes realistas européias e igualmente o governo da França do General de Gaulle.
As principais características do paradigma realista podem ser sumarizadas em três aspectos fundamentais:
a) Política interna e internacional Þ distintas e independentes entre si. Na política internacional prevalecem as questões de poder e segurança (high politics) em detrimento aos demais temas, tais como economia, os quais constituem problemas de low politics. Na política internacional não existem leis repressoras, e sim normas e princípios.
b) Para os realistas somente os Estados são reconhecidos como atores internacionais. Os realistas não admitem que o Estado possa desviar-se de sua conduta lógica devido a pressões de outros atores não-governamentais. Uma negociação entre dois Estados poderia ser esquematizada como num jogo de xadrez.
c) O poder é a obsessão do paradigma realista. Neste caso, as relações internacionais só podem ser entendidas como uma luta constante pelo domínio do poder, mediante o uso da força.

Terminada a Segunda Guerra a repartição do espólio dos vencidos e o estabelecimento de uma nova ordem mundial foram feitos exclusivamente pelas potências vencedoras. O paradigma realista amadureceu sob o influxo do chamado equilíbrio bipolar do poder internacional.
















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