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A imprensa e a opinião pública













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A IMPRENSA E A OPINIÃO PÚBLICA

Imprensa pode ser entendida como o conjunto de meios de divulgação impressos que visam à publicidade periódica de notícias e opiniões. A imprensa cria ídolos e aproveita-os em seu próprio benefício, e depois de explorá-los abandona-os ou os destroem caso estes não sirvam mais para seus designos ou se o público já cansou deles.
O público sofre várias formas de influência através da publicação de notícias, fotografias, comentários ou charges. Sobre este assunto Nicolai Palgunov já afirmava que a imprensa é um poderoso meio de influência das classes dominantes sobre as massas populares, um instrumento importantíssimo de propagação de conhecimentos políticos e científicos, um poderoso na vida política. Por ser formadora de opinião pública, se torna objeto de disputa por parte de governantes, que aproveitam-se dela em benefício de suas preferências políticas, por grupos econômicos desejosos de tê-la como aliada, e por partidos políticos.

A COMUNICAÇÃO JORNALÍSTICA

O jornalista deve ter à mente dois pontos quando for escrever: o homem moderno é apressado que não dispõem de tempo para dedicar-se à leitura de jornais e revistas; o público a quem os jornais e revistas são destinados é variado sendo constituído por pessoas cultas, alfabetizadas ou menos alfabetizadas. O homem moderno espera que o jornal lhe conceda segurança na informação dos fatos. Sabendo disso o profissional deve: ser conciso evitando prolixidade e o fastídio; escrever tomando por base os menos alfabetizados, ou seja, deve ser simples e claro na construção das frases e escolher as palavras mais usuais possíveis. Há que se saber que tipo de público será dirigido o veículo ou que tipo de instrução possuem os prováveis leitores, para assim o veículo obter um êxito.

CONCEITO

O jornalismo se interessa por aqueles que são notícia. A mais conhecida definição de notícia é a de Amus Cummings, editor do New York Sun: Se um cachorro morde um homem, não é notícia; mas se um homem morde um cachorro, aí então a notícia é sensacional. Poder-se-ia ainda definir, a notícia jornalística como informação atual e verdadeira, carregada de interesse humano e capaz de despertar a atenção e curiosidade de grande número de pessoas. Com isso temos como atributos fundamentais da notícia jornalística: atualidade, veracidade, carga de interesse humano, influência, proximidade, raridade e curiosidade.
· Atualidade: é um atributo principal da notícia, pois a notícia jornalística é a notícia do presente. O passado apenas lhe interessa como forma de complementação, nunca como informação em si. A rivalidade entre jornalistas é situada no plano da rapidez da informação, mais do que em qualquer outro.
· Veracidade: se a notícia não for verdadeira ela se torna um boato, e não há nada pior para um veículo de informação do que divulgar um boato. Porém com a correria das redações, às vezes notícias infundadas passam desapercebidas, podendo transformar-se em interesse de terceiros.
· Interesse humano: é preciso que ao ler a notícia, o leitor sinta-se preso à ela. É evidente que um acontecimento nos chama mais atenção quando tivermos a impressão de que dele estamos participando, e isso se chama identificação.
· Raio de influência: quanto maior a área que a notícia conseguir despertar interesse, mais se caracterizará como notícia jornalística.
· Raridade: o fato que se repete monotonamente, perde o interesse e cansa o leitor. Na verdade, os fatos se repetem, e nem por isso os jornais deixam de vender suas informações.
· Curiosidade: o conceito de curiosidade está expresso na própria definição de notícia dada por Amus Cummings.
· Proximidade: o leitor terá despertado seu interesse para as coisas que ocorrem perto dele.
Há ainda temas de interesse geral. São eles:
ð Morte
ð Destino
ð Sexo
ð Conflitos
ð Dinheiro
ð Tempo
ð Generosidade
ð Piedade

REDAÇÃO DA NOTÍCIA

O estilo jornalístico é um estilo claro, correto, conciso, sem nenhum gasto supérfluo de palavras. Ao se redigir uma notícia, deve-se ter em mente, as seguintes interrogações: Quê? Quem? Onde? Quando? Como? Por que? Teremos então: Que e Quem?- a substância; Onde? Quando? Como? Por que? os acidentes. Um sujeito, um complemento direto, complementos circunstanciais. Aí estão a ossatura e a musculatura da notícia.

PIRÂMIDE INVERTIDA

Um bom redator deve observar obrigatoriamente, a disposição por ordem decrescente de importância de todos os dados da notícia. É a chamada pirâmide invertida. Os principais fatos encabeçam o texto; em seguida os fatos de importância intermediária; e no final do texto informações que não alteram de modo algum a compreensão da notícia.
O uso da pirâmide invertida tem suas razões. A primeira está relacionada com o leitor, a fim de que sua atenção não seja desviada da informação e ele se mantenha preso a mesma. A segunda razão relaciona-se com a oficina (espaço dedicado pelo diagramador de acordo com o tipo empregado), ou seja, se a matéria estoura na oficina o secretário de oficina só terá o trabalho de cortar as últimas palavras sem correr o perigo de mudar a compreensão do texto.




O LEAD

É designado em jornalismo como o parágrafo sintético, vivo, leve, com que se inicia a notícia, na tentativa de fisgar a atenção do leitor. Ou seja, a parte mais importante da pirâmide é o lead. Não está no lead, na observação do método da pirâmide invertida e das regras de estilística, apenas a garantia de uma boa matéria. Deve-se levar em consideração o interesse que poderá despertar no provável leitor. O interesse humano é antes de mais nada, de natureza sentimental: deve-se sentir para compreender. Para ser compreendido pelo público, é necessário partir daquilo que ele conhece bem e falar a linguagem do coração.

SUITE

É a seqüência que se dá a uma matéria, a um assunto nas edições posteriores à divulgação do fato inicial, ou seja, é o aproveitamento de um assunto que ainda está quente, que continua a despertar interesse público.

TEXTO-LEGENDA

É uma frase curta, tendo como função de dizer a significação daquilo que acompanha. É uma legenda mais ampla, um número maior de palavras, porém sem nenhum parágrafo.

COPY-DESK

Copy-desk quer dizer lugar ou aquele que reescreve as matérias a serem publicadas. Tem como função:
· Dar forma gramatical e jornalística ao texto;
· Reduzir a matéria de acordo com as conveniências da paginação;
· Distinguir no texto, a parte propriamente informativa, policiando os comentários;
· Adaptar o estilo às normas redacionais do jornal;
· Contar as letras dos títulos, Segunda as determinações do espelho proposto pelo secretário;
· Conformar o noticiário às conveniências da empresa.

MECÂNICA DA COBERTURA DE ASSUNTOS GERAIS E ESPECIAIS

A notícia chega ao jornal de diversas maneiras e sua busca tem de ser constante. De uma maneira geral, o trabalho do dia seguinte é planejado com antecipação. O pauteiro, o chefe de reportagem ou o secretário de redação, devida organização do jornal, faz uma revisão dos acontecimentos que se desenrolarão no dia seguinte e procede à distribuição do pessoal.
Do pauteiro, exige-se conhecimentos superiores ao de qualquer repórter. Ele deve ser um profissional qualificado de muita experiência jornalística, bem informado e com boa dose de espírito criador. Ele é o homem que deve estar por dentro de todos os assuntos.
TEORIA DA ENTREVISTA

A entrevista significa encontro com alguma pessoa com a finalidade de interrogá-la sobre seus atos e suas idéias. Conjunto de declarações de pessoa de destaque a um jornalista com autorização para publicá-las. A entrevista pode ser classificada em dois tipos: a que se destina a dar informações sobre fatos conhecidos da pessoa entrevistada; e a que tem por fim revelar a sua personalidade.
· A entrevista de informação é notada quando se entrevista um ministro ou diretor de clube, ou seja, personalidade responsável a respeito de suas realizações. O jornalista torna-se intermediário entre aquele que sabe, o especialista, e aquele que deseja saber, o público.
· A entrevista que tem por objetivo revelar uma personalidade, descreve o corpo inteiro do entrevistado, ou seja, o ambiente em que vive, gostos, preferências, planos, sonhos.

TÉCNICA DA REDAÇÃO

Realizada a entrevista propriamente dita, tem início a redação do trabalho. A técnica muda dependendo do tipo de entrevista feita noticiosa ou de opinião, e a reveladora de uma personalidade. Pode ser feita a transcrição pura e simples, no caso da primeira. Se é para revelar uma personalidade, a transcrição ganha alguns detalhes, como descrição do ambiente, referência a gostos, etc. Como o objetivo é fazer um retrato, deve-se somar tudo o que permita fazê-lo da melhor maneira.
A capacidade criadora do profissional, resolverá o resto. O importante é evitar o estéril pingue-pongue sobre o óbvio.

IMPRENSA E POLÍTICA INTERNACIONAL

O espelho do mundo visto por olhos nos quais você confia
O Estado de São Paulo

A confiança que une o leitor ao jornal liga-se à crença de que este é um espelho do mundo, um retrato fiel da realidade. O jornal confiável é aquele que informa sem sugestionar.
A atividade jornalística possui uma teoria, a chamada teoria da objetividade, segundo a qual o bom jornalismo é aquele que alcança neutralidade, limitando-se a colocar o leitor diante da realidade para que ele forme a sua própria opinião. A teoria da objetividade preside a organização gráfica e a paginação dos órgãos de imprensa.
A opinião do jornal (que segundo a teoria da objetividade, não pode se misturar com o noticiário), fica circunscrita ao espaço do editorial, normalmente localizado numa das primeiras páginas internas. Outros comentários e opiniões aparecem assinados e claramente separados do noticiário.
Porém, a teoria da objetividade nada mais é que uma ideologia de imprensa, destinada a mascarar a inevitável parcialidade de toda atividade jornalística. É uma forma de apresentar a posição do jornal como se ela fosse correspondente à lógica da própria realidade. É uma maneira eficaz de transformar uma concepção particular (da empresa, da direção ou dos editores) em fato objetivo, universal.
A própria divisão do espaço em editorias e a seleção dos assuntos que aparecem em cada uma delas revelam concepções políticas e ideológicas. O jornal, ao contrário do que apregoa a teoria da objetividade jornalística, engaja-se na divulgação de uma concepção de mundo. Ele não é um espelho do mundo, mas um aparelho produtor de interpretações do mundo.

LINGUAGEM

A linguagem é um produto social, e por isso carrega consigo uma carga política e ideológica muito marcada. As palavras e expressões fazem mais que designar objetos e idéias. Trazem à tona um universo de significados e experiências humanas que são julgamentos de valor, avaliações positivas ou negativas do mundo que nos cerca.
A linguagem jornalística é pródiga na utilização de signos. A necessidade de concisão e a padronização estilística determinam sua alta densidade ideológica.

PRODUÇÃO DA NOTÍCIA

Entre a ocorrência de um fato qualquer e sua divulgação na forma de notícia existe um percurso de produção do noticiário que é, antes de tudo, um processo de seleção e interpretação dos fatos.
Os critérios de seleção e interpretação são sempre ideologicamente orientados. Esse percurso de produção do noticiário cria mediações entre a realidade e o noticiário que funcionam como filtros dos acontecimentos.
O primeiro filtro é a pauta, a relação dos assuntos que serão abordados numa determinada edição do jornal. A pauta é uma seleção dos assuntos considerados importantes, pinçados do universo quase infinito dos acontecimentos cotidianos. Outro aspecto decisivo na elaboração da pauta é a hierarquia interna das organizações jornalísticas. O crescimento dessas organizações determinou o aparecimento de uma divisão interna de trabalho que reserva a um grupo reduzido de jornalistas as decisões de pauta.
O segundo filtro é a edição da notícia. O texto original proveniente de um repórter ou redator é transformado em texto final nesse trabalho. Nele, um copidesque reescreve a reportagem ou artigo a fim de adaptar a linguagem aos padrões de estilo desejados.
O terceiro filtro é a diagramação. Colocada no alto da página, uma notícia ganha um destaque que não teria no pé da página, por exemplo. As páginas ímpares tem mais leitura que as pares, por razões ligadas à ótica e percepção do leitor. Ou seja, o ordenamento e a hierarquia das matérias de uma página são capazes de conduzir à formação de um determinado ponto de vista, que não está expresso explicitamente em nenhuma das matérias.
O conjunto desses filtros revela que o jornal é, na sua totalidade um objeto ideológico e não um espelho do mundo. Revela também que o espaço da opinião, longe de se circunscrever ao editorial, está disseminado por todas as seções.