Make your own free website on Tripod.com








Sobre o meu clube
Título da nova página













Home

A crise dos Anos 60 e o PAEG | Ensaio sobre a Economia Brasileira | A imprensa e a opinião pública | Estrutura Funcional do Mercosul | Pólitica Fiscal e Aduaneira | Título da nova página | Título da nova página | Título da nova página | Título da nova página | FMI | O IMIGRANTE E A PEQUENA PROPRIEDADE | Incorporação do Rio Grande do Sul | Título da nova página | Locke | O Paradigma Realista | Sistema Internacional | OS DILEMAS DA SOBERANIA | Título da nova página





Insira o conteúdo do subtítulo aqui
















A Mineração e a Ocupação do Centro-Sul


O interesse da metrópole pelo Brasil e o desenvolvimento de sua política de restrições econômicas e opressão administrativa tomarão considerável impulso sobretudo a partir de princípios do séc. XVIII quando se fazem as primeiras descobertas de jazidas auríferas.
Com a mineração, todas as demais atividades entrarão em decadência e as áreas onde se realizavam se empobrecem e se despovoam.
Os metais preciosos eram a preocupação dos portugueses desde o início da colonização. As prematuras descobertas no México e no Peru estimularam as imaginações.
É somente nos últimos anos do séc. XVII que se realizam os primeiros achados de importância. Devem-se às bandeiras paulistas. Por volta de 1696 se fazem as primeiras descobertas positivas no centro do que hoje constitui o Estado de Minas Gerais.
Ao contrário das demais atividades realizadas na colônia anteriormente, a mineração foi caracterizada, desde início, por uma rigorosa e minuciosa disciplina.
O sistema funcionava, resumidamente, da seguinte forma: para controlar a exploração, fiscalizá-la e fazer a cobrança do quinto, criava-se uma administração especial, a Intendência de Minas, sob a direção de um superintendente; em cada uma das capitanias em que se fizessem descobertas seria organizada uma dessas Intendências, que se subordinava única e diretamente à Coroa.
O descobrimento era obrigatoriamente comunicado à intendência da capitania. Os funcionários competentes se transportavam então ao local, para fazer a demarcação dos terrenos auríferos e, em dia e hora marcados, distribuí-los entre os mineradores presentes. A distribuição se fazia por sorte e proporcionalmente ao número de escravos com que cada pretendente se apresentava; mas antes da distribuição geral, o descobridor da jazida tinha o direito de escolher livremente a sua data; e depois dele a Fazenda Real também fazia sua escolha.
A Fazenda Real impusera sobre a mineração um tributo avultado: a quinta parte de todo o ouro extraído. Viveu-se por isso nas minas em luta constante: o fisco reclamando e cobrando seus direitos e os mineradores dissimulando o montante da produção.
Depois de muitas hesitações e variações, criaram-se as Casas de Fundição, local em que todo o ouro extraído era recolhido. Aí se fundia, e depois de deduzido o quinto e reduzido a barras marcadas com o selo real, era devolvido ao proprietário. O ouro só podia circular nestas barras quintadas.
Mas as providências não pararam por aí. Devido ao fato de o ouro ser de um tamanho reduzido e de um valor muito alto, podia-se escondê-lo facilmente. Para evitar os descaminhos que se verificassem, fixou-se uma cota anual mínima que o produto do quinto deveria atingir. Esta cota foi orçada em 100 arrobas. Quando o quinto arrecadado não atingia essas 100 arrobas, procedia-se o derrame, isto é, obrigava-se a população a completar a soma.
Na indústria mineradora encontra-se dois tipos de organização: o das lavras, que se emprega nas jazidas de certa importância. São estabelecimentos que dispõe de aparelhamento especializado. A mão-de-obra é quase totalmente constituída de escravos africanos; o trabalho livre é excepcional e o índio não é empregado. À organização das lavras opõe-se a pequena extração realizada por indivíduos isolados que não empregam senão uns poucos instrumentos rudimentares. São os chamados faiscadores. Não se fixam em um ponto determinado; são móveis e nômades; reúnem-se às vezes em grande número, num ponto franqueado a todos; porém cada qual trabalha por si e isoladamente; alguns são trabalhadores livres e alguns são escravos aos quais os senhores fixam uma certa medida de ouro que devem entregar, guardando o excesso com que provêem à sua manutenção e resgatam sua liberdade quando são muito felizes em seus achados.
A decadência da mineração do ouro deriva de várias causas. A principal é o esgotamento das jazidas, devido à raridade e pobreza das rochas matrizes. Mas além disso, outro aspecto impediu os mineradores de as explorarem: a sua técnica deficiente. Quando se tratou de depósitos de aluvião, a extração não foi difícil. Mas quando se tratou de entranhar-se no solo, a capacidade dos mineradores fracassou; tanto por falta de técnicas quanto por falta de recursos. Quanto às deficiências técnicas, lança-se a culpa principal sobre a administração pública, que manteve a colônia num completo estado de isolamento.
Não é só pelos obstáculos opostos à difusão de conhecimentos que a administração entravou o processo da mineração e apressou sua decadência. O sistema geral que adotou ao regulamentá-la contribuiu consideravelmente para isto.
Além do ouro, exploraram-se também na mesma época, os diamantes. O Brasil foi o primeiro grande produtor moderno dessa pedra. A princípio adotou-se para com a exploração do diamante o mesmo sistema que vigorava na do ouro. Mas era difícil calcular e separar o quinto de pedras muito diferentes umas das outras. Adotou-se logo outro processo mais conveniente à percepção do tributo: criou-se o Distrito Diamantino.
A decadência da mineração dos diamantes, que é mais ou menos paralela à do ouro, tem também causas semelhantes. Veio agravá-la um fator: a depreciação das pedras, devido ao seu grande afluxo no mercado europeu. Ao mesmo tempo, uma administração inepta e ineficiente foi incapaz de racionalizar a produção e reduzir o custo da extração.
A mineração teve na vida da colônia um importante papel. Durante aproximadamente 75 anos ocupou a maior parte das atenções do país, e desenvolveu-se às custas das demais atividades. O afluxo da população para as minas é considerável. Esta será uma forma característica do povoamento do Brasil centro-sul que se perpetuará até os nossos dias. A sua significação econômica pode ser avaliada pela dificuldade que representa estabelecer-se um sistema de transportes eficiente e econômico em região tão irregularmente ocupada.
A descoberta das minas permitiu à colonização portuguesa ocupar todo o centro do continente sul-americano.
As transformações provocadas pela mineração deram como resultado o deslocamento do eixo econômico da colônia, antes localizado nos grandes centros açucareiros do Nordeste. A própria capital da colônia transfere-se da Bahia para o Rio de Janeiro.
A mineração permitiu também o desenvolvimento de outras atividades, como a agricultura e a pecuária.
















Insira o conteúdo de apoio aqui