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O Punho Oculto













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Há muito tempo não se via um momento de união nacional como esse que estamos vivenciando agora em torno do conflito entre Brasil e Canadá. Congressistas, empresários, sindicalistas e demais órgãos da sociedade civil, dos mais diferentes perfis ideológicos, estão mobilizados na luta contra o embargo imposto pelo Canada à carne brasileira.

Em recente artigo publicado na imprensa, Rubens Ricupero, disse que o conflito Brasil-Canadá "talvez sirva para abrir os olhos do público brasileiro, inclusive da imprensa, para o que é realmente crucial nas negociações da Alca ou da OMC", alertando que o grande problema já não estaria nas tarifas mas nas "medidas de integração profunda" - normas que dizem o que se pode ou não fazer dentro dos países - e quem dita estas últimas. Nesse sentido, podemos dizer que o acontecimento é bastante ilustrativo para avaliarmos a capacidade de atuação do Brasil diante das novas formas de inserção que se configuram nesse turbulento cenário internacional de início de século.

Por isso, ainda que a crise venha a ter final feliz e possamos creditar o sucesso das negociações aos bons ofícios desempenhados pela diplomacia brasileira, devemos nos deter nesse acontecimento extraindo o máximo de ensinamentos para que possamos projetar novas estratégias de ação:

- Uma das características mais marcantes do mundo pós-guerra Fria é o poder crescente que Organizações Internacionais (FMI, Banco Mundial e OMC) têm assumido no processo de internacionalização econômica servindo, principalmente, de instrumento para impor os interesses das grandes potências. Os casos Embraer-Bombardier e Vaca Louca podem ser vistos como o início de reação vigorosa, por parte, dos mais desenvolvidos àqueles que tentam ocupar um lugar de destaque no comércio internacional. Como já admitiu um conhecido apologista da globalização, T.Friedman, "por trás da mão invisível sempre existe um punho oculto".

- O silêncio dos países do Mercosul diante do episódio e o conseqüente isolamento do Brasil no Continente, vem nos revelar que os processos de integração econômica da década de 90 não foram suficientes o bastante para gerar um sentimento de unidade política com vistas à uma ação conjunta mais efetiva por parte da América Latina.

- O governo brasileiro respondeu à guerra comercial decretada pelo Canadá de forma contundente mas pouco ordenada. Declarações desencontradas dos ministros e do próprio presidente da República em relação aos efeitos do episódio sobre a possível participação do Brasil na ALCA denotam a ausência de um órgão coordenador das ações ministeriais.

- Mas o mais importante de tudo isso foi perceber que a mobilização política conferiu força à ação governamental , indicando que a projeção internacional do Brasil frente aos novos desafios depende, não apenas de uma diplomacia competente, mas, sobretudo, de um envolvimento político maior da sociedade na condução de nossa política externa.

Este é um momento propício para deixarmos de lado as bravatas dos xenófobos, as frases bombásticas ("guerra é guerra") e assumirmos, definitivamente, que a guerra é uma eventualidade para a qual devemos estar sempre preparados, tendo sempre em mente as lições do pensador chinês Sun Tzu: "não se deve nunca combater o inimigo mas a estratégia do inimigo".



Reginaldo Mattar Nasser
Coordenador do Curso de Relações Internacionais da PUC/SP