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Carreira desanima jovens diplomatas













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Artigo extraído do Jornal Valor Ecnonômico, edição de 07/03/2001.
















Experimente falar a palavra "gerontocracia" para um diplomata brasileiro. Ele vai reconhecer, de imediato, um assunto que constrange e movimenta conversas de corredores no Itamaraty. Se for novo, vai desfiar um rosário de queixas contra o excesso de diplomatas de mais idade nos postos importantes da carreira diplomática. Daí o termo adotado nos escalões inferiores do ministério, de gerontocracia (governo de anciãos) para a situação atual do Ministério das Relações Exteriores.
Funcionários dos escalões inferiores do Itamaraty falam em conservadorismo, que impediria ações mais ousadas, como, por exemplo, uma resposta mais agressiva na recente disputa comercial com o Canadá.

O termo gerontocracia é um exagero, já que menos de 10% dos integrantes da carreira têm mais de 60 anos, e, de cada quatro diplomatas, três estão, no máximo, na faixa dos 40. Embaixadores respeitados e conhecidos no cenário internacional ocupam os postos mais importantes, como a secretaria-geral do Itamaraty, as embaixadas de Washington, Buenos Aires e Paris e as representações do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). Mas a insatisfação dos jovens diplomatas é acompanhada pela constatação de que, com menos postos para muitos candidatos, o ministério está ameaçado de ter uma nova geração de embaixadores com pouca experiência no front externo. O cargo de embaixador, ao qual se chegava, há duas décadas, na idade dos 40, exigirá, nos próximos anos, que a maioria dos candidatos esteja próxima a se tornar sexagenária.

Postos antes reservados a escalões inferiores, como os consulados em várias cidades nos Estados Unidos, em Houston, Los Angeles ou Chicago, hoje têm embaixadores à frente.

Ao voltar do exterior, diplomatas com posto equivalente a generais na hierarquia são obrigados, em alguns casos, a ocupar postos que caberiam a subordinados, como as chefias das divisões do ministério.

Na tentativa de abrir mais espaço para as gerações mais novas, o governo chegou a criar um "quadro especial", ao qual se recolheriam os embaixadores com mais de 65 anos. Mas, em 1989, um processo movido no Supremo Tribunal Federal, a pedido do embaixador Marcos Cortes, determinou que os integrantes do quadro especial teriam direito a ocupar postos no exterior. Hoje, dos 62 integrantes do quadro, apenas 17 não ocupam as cobiçadas embaixadas fora do país.

Na gestão de Fernando Henrique Cardoso no Ministério das Relações Exteriores durante o governo de Itamar Franco, em 1993, esse conservadorismo teria abortado, por exemplo, um projeto de "iniciativa amazônica", para aproximação com os países andinos. A resistência velada a outras propostas de integração, ou mesmo a maior ênfase nos assuntos comerciais seriam também exemplos dos problemas provocados pela falta de renovação nos postos, argumentam os críticos da "gerontocracia".

A origem dessa situação está nos anos 70, quando, na gestão do embaixador Azeredo da Silveira, o número de diplomatas se expandiu, de cerca de 380 para pouco mais de mil. Próximos a Silveira, jovens diplomatas talentosos ascenderam na carreira rapidamente, e, com pouco mais de 40 anos, chegaram ao posto máximo de embaixador. Foi o caso de Ronaldo Sardemberg, Luiz Felipe Lampreia, Roberto Abdenur, Bernardo Pericás e outros que se revezam, até hoje, em cargos de relevo na diplomacia e em outros postos do governo. Essa mesma geração patrocinou mudanças na carreira, que se inicia com o posto de terceiro secretário, tem os postos intermediários de segundo e primeiro secretário, conselheiro e ministro de segunda classe, e chega ao topo com o posto de ministro de primeira classe, ou embaixador.

As regras adotadas desde então impedem que qualquer diplomata suba um degrau na carreira sem, antes, permanecer por, no mínimo quatro anos no mesmo escalão.